Além dos processos editoriais

Não é de hoje que temos a “obrigação” de comentarmos tudo, sabermos tudo ou mesmo apontarmos o dedo para tudo e todos nas redes sociais. Mas eis que chega o dia em que você tem o dedo apontado na sua direção e você simplesmente pensa – Culpada.

Sim, eu sou uma pessoa que adora planilhas, pensa em lucro e imaginem fala “valor agregado” em produto e pensa na viabilidade da producão de livros. Imaginem, sou realmente o bicho-papão. Mas antes que inúmeras pessoas venham me dizer que não sou ninguém, irrelevante ou insignificante para o mercado preciso explicar algo sobre mim

1. Trabalho desde os 13 anos com livros, não sou designer, capista, produtora gráfica ou editora. Sou do comercial e depois migrei para um setor híbrido entre marketing e comercial:

2. Minha principal preocupação é o conteúdo, a forma que ele terá seja digital, físico, app, epub, capa dura, numerada deve ser de acordo com seu propósito de lucro e target [ leitor/cliente]

3. Sim, sou um bicho-papão que pensa em metas/cotas, planilhas e burocracias…assim, irrelevantes só que não.

Depois de esclarecido isso você precisa ter em mente de que a ideia pode ser maravilhosa mas se não chegar aos leitores e nem mesmo nas livrarias ela morre. Quando um livro termina ele passa por alguns processos

1. Precificacão

A precificação é baseada nos fatores – salários de funcionários, aluguel, direitos autorais, adiantamentos, manutenção do estoque, logística de entrega, gráfica, descontos para livrarias [o mínimo é de 40%] e encargos no caso de papel importado. Isso para começar, por isso, a planilha e valor agregado são importantes, quanto maior a tiragem ou previsão de reimpressão menor pode ser o preço.

2. Sinopse, release, capa em alta, material específico para cada player.

Então, o livro ficou pronto. agora ele precisa sair e ganhar o mundo mas prá isso vai precisar de sinopse, release, capa em lata e algumas livrarias possuem sistemas de cadastro por planilhas em modelos diferentes e algumas utilizam via XML. Amigos, não existe isso de cadastro universal onde você encontra ISBN, nome, título, tradutor e preço num lugar só, mesmo que seja uma livraria. Antes de você encontrar seu livro na busca teve uma pessoa que mandou inúmeras emails, fez o cadastro online e depois visitou todas as livrarias, mostrou os livros e convenceu os compradores a terem os livros nas lojas. Com a crise o comercial faz todo esse processo e solta fogos quando consegue cadastrar no site e uma promessa de que depois do Natal seu livro chegará na loja.

3. Você conseguiu, tem seu livro cadastrado

Pois é, mas essa é a fase inicial porque como disse acima você precisa convencer o comprador de que seu livro é importante, necessário, vai vender e os leitores ficarão insanos ao vê lo no ponto de venda. Por isso, editores que conversam com vendedores e marketing podem ter um melhor percurso para seus livros.

Hoje em dia, raras são as livrarias que não cobram pela exposição dos livros em gôndolas, vitrines ou revistas informativas dos players. Por isso, na precificação muitas vezes é colocado também o valor de pagamento desses produtos das livrarias.

4. Consignação

E você, sabe o que consignação? Consignação é o processo que você faz tudo que jea escrevi, o comprador faz o pedido mas não é compra. Só se efetivará em compra quando houver o acerto de consignação que acontece no mês posterior a entrega do pedido na livraria, o pagamento normalmente ocorre 90 dias depois desse processo apenas dos livros vendidos.

Isso é um parte de todo processo comercial e marketing, na verdade é um grande resumo e explica porque esse setor tão menosprezado por editores acaba influenciando e muito no sucesso ou não do seu livro. O livro pode “até dar Veja” jargão muito utilizado no mercado mas faltar algo no ponto de venda se o livreiro não souber do que se trata ou não ter uma informação adicional do produto que só quem esteve dentro da editora durante o processo sabe. Raros são os editores que visitam livrarias e conversam com livreiros, por isso o trabalho do comercial e marketing no mercado editorial precisa ser ainda mais bem feito e respeitado.

E talvez esse seja um manifesto em respeito aqueles que não são maus, apenas lutam pela sustentabilidade de um mercado que é cultural mas também precisa se manter.

O convívio entre gigantes e independentes

O mercado editorial e suas mudanças foi o assunto da última semana nas rodas dos meus amigos, seja pelas incorporações, livros digitais ou os grandes players e suas políticas de preços. A pergunta que fica é: para onde estamos indo e o que podemos aprender com mercados que já passaram por algo similar? Nesse post, colocarei algumas ações que já estão sendo implementadas ao redor do mundo, não para manutenção de um sistema mas uma convivência saudável entre gigantes editoriais e editoras independentes.

Um grupo de livreiros do Texas realmente levou a sério a questão de transformar as livrarias em espaços de convívio e discussão cultural, saiba mais: Praise of indie booksellers

Na Alemanha, saraus especiais com formatos experimentais na apresentação de livros. As editoras independentes e os eventos em pequenas livrarias:
Gourmet Reading for Book Gluttons

A livraria nômade, a feirante

Já existem feiras no Brasil como a Feira Plana e a Pão de forma, mas precisamos de mais ações similares como agregadores de conteúdo para o leitor, assim colocando frente a frente o mercado de massa e o diferenciado:

Feira Pão de forma http://feirapaodeforma.tumblr.com/

Feira Plana

A editora de livros impressos que dita suas próprias regras e dá certo, a Patuá Editora:

Conhecem o Coletivo Compota? http://abraacompota.wordpress.com/

E a Coletivo Confeitaria Mag? http://confeitariamag.com/

Como trazer as novas gerações para leitura? Como chamar a atenção de crianças e jovens?

O jornal The Guardian alerta que algumas editoras podem inovar e começar pelo digital. Concordo plenamente, além disso, poderá ter força com “players” que só pedem descontos e sim se impor como gerador de conteúdo. Apesar de ser um dos 4Ps do marketing, preço é apenas um deles.

Post originalmente feita para Coluna Todas as cousas que há no mundo na Revista Pessoa.

Interação editorial e digital

Em tempos de lançamento do GTA 5, começam as indagações de como comunicarmos um produto no mundo offline e online porque um não descarta o outro. O jogo

possui um site com estatísticas do seu desempenho e onde você pode empregar seu “dinheiro” para conseguir mais aditivos no jogo e ser mais competitvo.

No mercado cinematográfico isso já acontece, o melhor exemplo disso é o filme Prometheus, que criou narrativas diferentes em sites e redes sociais. O personagem David tem redes sociais bem como a empresa – que também é um personagem; além do site que detalha certos conceitos do filme [https://www.weylandindustries.com/david]. Independente da qualidade do filme, houve um burburinho anterior ao seu lançamento e uma apresentação do que seria a narrativa proposta.

No mercado editorial, britânicos e americanos começaram essa jornada e isso inclui autores independentes como The novel cure [http://thenovelcure.com/news] em que o leitor descobre detalhes do livro, discute com outros leitores e com as próprias autoras e pode até mesmo comprar o livro pelo site.

 

Ou os famosos guias Rough Guide, que além do seu site, tem uma rede social e nesta semana o app foi lançado [http://www.roughguides.com/[.

As redes sociais têm poder de feedback. Lembre-se que o novo consumidor e leitor é diferente do consumidor de antes, ele ouve e vê sua ação mas quer falar e ser ouvido sobre seu produto.

É a era da participação e o cliente ou leitor é parte importante desse processo. E como disse Bezos:“Complaining is not a strategy.”