Dez passeios literários em São Paulo

Durante alguns anos meu trabalho foi visitar diariamente livrarias, espaços culturais, galerias e bibliotecas para vender livros. Hoje em dia continuo vendendo livros mas visitando esses espaços de maneira mais pontual e nem todos os citados abaixo posso visitar sempre. Então, essa é uma lista desses lugares inesquecíveis, uma lista sentimental.

 

Zaccara

A especialidade da livraria é literatura, num aconchegante sobrado em Perdizes você pode achar livros de fundo de catálogo de editoras bacanas como 34 e Estação Liberdade, além de vinis e uma ótima conversa.

Rua Cardoso de Almeida – 1356

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Casa de Livros

Talvez a mais lúdica das livrarias em São Paulo, fica na Chácara Santo Antônio e logo na entrada você já verá uma ilustração da Suzy Lee feita quando visitou a livraria.

Variado acervo de livros infantis e não se assuste se um dia chegar e dar de cara com vários pequenos leitores ouvindo seu autor favorito.

Rua Capitão Otávio Machado, 259 

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Biblioteca Mário de Andrade

No centrão de São Paulo uma das minhas bibliotecas preferidas, o atendimento não é dos melhores mas o acervo sim. Então, bote o sorriso no rosto, finja que não liga para cara feia e mergulhe nos livros e exposicões que sempre acontecem por lá!

Rua da Consolação – 94

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Blooks

A carioca Blooks é uma das mais charmosas e com um acervo diferenciado de quadrinhos e arte.

Rua Frei Caneca, nº 569 – 3º Piso

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Biblioteca Temática Feminista Cora Coralina

No momento passa por reformas mas deve reabrir em breve. O acervo ainda está em formação e ainda há poucos eventos acontecendo, veremos como será em 2016.

Rua Otelo Augusto Ribeiro – 113

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Novesete

Pertinho do metrô Ana Rosa fica uma das livrarias infantis mais importantes da cidade, um catálogo enxuto e escolhido a dedo mas com o que há de mais bacana no setor. Não é  a toa que a Novesete e a Casa de livros são as minhas infantis preferidas de sempre.

Rua França Pinto, 97

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Sebo do Messias

O Sebo do Messias é tipo “quintal de casa”, faço trocas, encomendas e compro o que preciso para trabalho e pesquisas. Na verdade, acho que tenho espasmos de necessidade e acabo comprando demais. Se você como eu anda com mania de autores paulistanos esquecidos, aparece lá, provavelmente você vai encontrar o livro esgotadíssimo que precisa.

Praça João Mendes, 140

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Tapera Taperá

Até semana passada quando visitei era uma biblioteca com livros alternativos de arte, política, ciências sociais e alguma coisa de literatura. Em breve será uma livraria também e com foco em não-ficção e eventos. Vista linda e vizinha do bar Mandíbula.

Galeria Metrópole

Avenida São Luís, 187

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Livraria Takano

Ela não tem site mas tem livros em nihongo. A dona é ex-bibliotecária mas sempre tem dicas ótimas de autores japoneses…alegres. Porque ela facilmente detectou meu fascínio por autores japoneses e suas histórias tristes. E eu não leio em japonês nem falo mas passo lá para conversar e pegar dicas.

Rua Conselheiro Furtado, 759

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Além dos processos editoriais

Não é de hoje que temos a “obrigação” de comentarmos tudo, sabermos tudo ou mesmo apontarmos o dedo para tudo e todos nas redes sociais. Mas eis que chega o dia em que você tem o dedo apontado na sua direção e você simplesmente pensa – Culpada.

Sim, eu sou uma pessoa que adora planilhas, pensa em lucro e imaginem fala “valor agregado” em produto e pensa na viabilidade da producão de livros. Imaginem, sou realmente o bicho-papão. Mas antes que inúmeras pessoas venham me dizer que não sou ninguém, irrelevante ou insignificante para o mercado preciso explicar algo sobre mim

1. Trabalho desde os 13 anos com livros, não sou designer, capista, produtora gráfica ou editora. Sou do comercial e depois migrei para um setor híbrido entre marketing e comercial:

2. Minha principal preocupação é o conteúdo, a forma que ele terá seja digital, físico, app, epub, capa dura, numerada deve ser de acordo com seu propósito de lucro e target [ leitor/cliente]

3. Sim, sou um bicho-papão que pensa em metas/cotas, planilhas e burocracias…assim, irrelevantes só que não.

Depois de esclarecido isso você precisa ter em mente de que a ideia pode ser maravilhosa mas se não chegar aos leitores e nem mesmo nas livrarias ela morre. Quando um livro termina ele passa por alguns processos

1. Precificacão

A precificação é baseada nos fatores – salários de funcionários, aluguel, direitos autorais, adiantamentos, manutenção do estoque, logística de entrega, gráfica, descontos para livrarias [o mínimo é de 40%] e encargos no caso de papel importado. Isso para começar, por isso, a planilha e valor agregado são importantes, quanto maior a tiragem ou previsão de reimpressão menor pode ser o preço.

2. Sinopse, release, capa em alta, material específico para cada player.

Então, o livro ficou pronto. agora ele precisa sair e ganhar o mundo mas prá isso vai precisar de sinopse, release, capa em lata e algumas livrarias possuem sistemas de cadastro por planilhas em modelos diferentes e algumas utilizam via XML. Amigos, não existe isso de cadastro universal onde você encontra ISBN, nome, título, tradutor e preço num lugar só, mesmo que seja uma livraria. Antes de você encontrar seu livro na busca teve uma pessoa que mandou inúmeras emails, fez o cadastro online e depois visitou todas as livrarias, mostrou os livros e convenceu os compradores a terem os livros nas lojas. Com a crise o comercial faz todo esse processo e solta fogos quando consegue cadastrar no site e uma promessa de que depois do Natal seu livro chegará na loja.

3. Você conseguiu, tem seu livro cadastrado

Pois é, mas essa é a fase inicial porque como disse acima você precisa convencer o comprador de que seu livro é importante, necessário, vai vender e os leitores ficarão insanos ao vê lo no ponto de venda. Por isso, editores que conversam com vendedores e marketing podem ter um melhor percurso para seus livros.

Hoje em dia, raras são as livrarias que não cobram pela exposição dos livros em gôndolas, vitrines ou revistas informativas dos players. Por isso, na precificação muitas vezes é colocado também o valor de pagamento desses produtos das livrarias.

4. Consignação

E você, sabe o que consignação? Consignação é o processo que você faz tudo que jea escrevi, o comprador faz o pedido mas não é compra. Só se efetivará em compra quando houver o acerto de consignação que acontece no mês posterior a entrega do pedido na livraria, o pagamento normalmente ocorre 90 dias depois desse processo apenas dos livros vendidos.

Isso é um parte de todo processo comercial e marketing, na verdade é um grande resumo e explica porque esse setor tão menosprezado por editores acaba influenciando e muito no sucesso ou não do seu livro. O livro pode “até dar Veja” jargão muito utilizado no mercado mas faltar algo no ponto de venda se o livreiro não souber do que se trata ou não ter uma informação adicional do produto que só quem esteve dentro da editora durante o processo sabe. Raros são os editores que visitam livrarias e conversam com livreiros, por isso o trabalho do comercial e marketing no mercado editorial precisa ser ainda mais bem feito e respeitado.

E talvez esse seja um manifesto em respeito aqueles que não são maus, apenas lutam pela sustentabilidade de um mercado que é cultural mas também precisa se manter.

O convívio entre gigantes e independentes

O mercado editorial e suas mudanças foi o assunto da última semana nas rodas dos meus amigos, seja pelas incorporações, livros digitais ou os grandes players e suas políticas de preços. A pergunta que fica é: para onde estamos indo e o que podemos aprender com mercados que já passaram por algo similar? Nesse post, colocarei algumas ações que já estão sendo implementadas ao redor do mundo, não para manutenção de um sistema mas uma convivência saudável entre gigantes editoriais e editoras independentes.

Um grupo de livreiros do Texas realmente levou a sério a questão de transformar as livrarias em espaços de convívio e discussão cultural, saiba mais: Praise of indie booksellers

Na Alemanha, saraus especiais com formatos experimentais na apresentação de livros. As editoras independentes e os eventos em pequenas livrarias:
Gourmet Reading for Book Gluttons

A livraria nômade, a feirante

Já existem feiras no Brasil como a Feira Plana e a Pão de forma, mas precisamos de mais ações similares como agregadores de conteúdo para o leitor, assim colocando frente a frente o mercado de massa e o diferenciado:

Feira Pão de forma http://feirapaodeforma.tumblr.com/

Feira Plana

A editora de livros impressos que dita suas próprias regras e dá certo, a Patuá Editora:

Conhecem o Coletivo Compota? http://abraacompota.wordpress.com/

E a Coletivo Confeitaria Mag? http://confeitariamag.com/

Como trazer as novas gerações para leitura? Como chamar a atenção de crianças e jovens?

O jornal The Guardian alerta que algumas editoras podem inovar e começar pelo digital. Concordo plenamente, além disso, poderá ter força com “players” que só pedem descontos e sim se impor como gerador de conteúdo. Apesar de ser um dos 4Ps do marketing, preço é apenas um deles.

Post originalmente feita para Coluna Todas as cousas que há no mundo na Revista Pessoa.