Editoras que você precisa conhecer

Sim, uma grande editora vai dizer adeus ao mercado editorial brasileiro, isso se nada mudar nesse percurso diante de tamanha comoção. Mas enquanto nenhum ato heroico salva a editora do eminente fim [o que eu acho impossível], por que não conhecer, ler e perceber outras editoras e autores?

Mesmo eu tendo carinho pela Cosac Naify e tudo que ela me trouxe quando trabalhei lá, é preciso seguir em frente e me refiro também a leitores e livrarias, além de jornais que precisam olhar para o lado e notarem que há muito além dos mesmos autores e casas editoriais.

Sendo assim em meio a minha face mais ranzinza, fiz uma lista de editoras bacanas não só que privilegiam o design do livro bem como seu conteúdo mas principalmente de autores que você precisa conhecer:

Carambaia

MOV editora

Nós editora

Olhavê

Arte e Letra

Confeitaria

Darkside Editora 

Jujuba Editora

Editora Pulo do Gato

Patuá

Tijuana

Ikrek Editora

Confraria do vento

GG Editora – Brasil

Editora Poetisa

Cigarra Editora

Lote 42 

Menção a 3 editoras que não são recentes nem tampouco pequenas mas estão renovando seu catálogo com títulos bem bacanas

Biblioteca Azul – Selo da Globo Livros 

Edições Sesi

GG – Gustavo Gili – Brasil

Aira, best-seller e literatura

E com isso podemos terminar denunciando outro equívoco frequente, o daqueles que afirmam que o best-seller é um atentado contra cultura. Tudo ao contrário. Lendo-os se aprende história, economia, política, geografia, sempre à escolha e de forma divertida e variada. Lendo-se literatura genuína, no entanto, não se adquire nada além de cultura literária, a mais inofensiva de todas.

Começo com o fim do ensaio de César Aira, Best-seller e Literatura, no livro Pequeno manual de procedimentos porque de certa forma passamos por isso no trabalho diário com a literatura, o boom dos livros YAs pelo mundo e a atual crítica literária. Não sou crítica nem acadêmica, sou o tipo “mau” que trabalho no comercial e marketing de editoras e livrarias, então, sou do tipo que muitas vezes trata o livro como um produto cultural.

Vivemos a era do não conheço e não gosto, e de certa forma se está na lista dos mais vendidos deve ser ruim, mal escrito ou tem a chamada brega dos mais vendidos do New York Times na capa, já soa como presságio para livro ruim.  Sendo que de acordo com a Wikipedia best-seller é – Best-seller, best seller ou, ainda, bestseller (em inglês, “mais vendido”) é um livro que é considerado como extremamente popular entre os que é incluído na lista dos mais vendidos, sendo considerado como “literatura de massa”. Trata-se de uma expressão da língua inglesa para indicar os livros mais vendidos no mercado editorial. E de acordo com Aira é também o que se vende melhor, ou o que consegue ser vendido mais rápido.

Em seu ensaio O que fazer com a literatura?, Aira nos dá uma luz sobre essas indagações literárias – Essa é a acepção em jogo quando dizemos, por exemplo, ao nos referirmos a Isabel Allende ou Harry Potter, “isso não é literatura”. E infalivelmente opinamos “sim, isso é literatura” acerca do que fazemos nós, o que desvaloriza bastante a classificação.

E a partir desse contexto nos perguntamos o quanto isento pode ser uma crítica literária de um livro nacional? Estaríamoso isentos das amizades, trabalho? Eu tenho medo de ler autores amigos e discutir depois, parece que serei uma má amiga se o feedback for negativo ou a pessoa pode me levar a mal. Alguns são mais abertos a ouvir o que tenho a dizer que não é crítica literária e apenas opinião de uma leitora mais cuidadosa como os vloggers.

Percebo o fenômeno dos blogs e canais no youtube fugindo apenas do YA ou da literatura comercial, porque nesse momento temos poucas referências isentas do que pode ser interessante. Vejo e leio as resenhas como se perguntasse a opinião para um livreiro de confiança ou como eu atenderia um cliente na livraria, uma opinião totalmente pessoal e apaixonada.

Apesar de concordar e muito com as opiniões do Aira, percebo que na citacão que abre esse texto ele fala como se a literatura, no Brasil chamada de “alta literatura”, não agregasse nada o que discordo com força, o que ele faz como provocação – uma causação necessária para apimentar a discussão. O que me parece ainda nublado é que não sei se há realmente um conceito para o que é ou não “alta literatura”, porque é um ser e não estar no meu conceito. Porque não há como ficar imune a leitura de Raduan Nassar, Gertrude Stein, Philip Roth ou Clarice Lispector. E essa indiferença é o que aos meus olhos vejo como literatura. Se chamo meus romances policiais de diversão? Sim, possivelmente, mas que ótima diversão para um final de noite!

“E aí intervém a literatura, para recolocar o incompreensível em seu lugar. Isso se dá cada vez em que começamos a entender demais”.

  • O incompreensível – César Aira