Meu preconceito literário ou não sei como nunca tinha lido ficção científica

Sempre que uma citação vier com “não tenho nada contra até tenho amigos que ” no meu caso é lêem ficção científica é porque vem um preconceito velado por aí e o meu preconceito literário mais arraigado era com ficção científica. Era porque fui nocauteada por uma escritora chamada Ursula K. Le Guin.

Tudo começou com o questionamento de que livro leríamos no próximo mês para o clube de leitura #leiamulheres e como eu e a Michelle nunca tínhamos lido nada no estilo e o mês estava cheio de trabalho, pensei – Sim, ficção científica porque é fácil de ler.

A introdução do livro “A mão esquerda da escuridão” é uma das coisas mais incríveis que li, uma aula de como se posicionar como escritor e para que o leitor também entenda a aventura de não se alinhar ao seu “target” e sim colocar a sua literatura como caminho e mensagem independente do estilo. Sim, isso foi a Ursula que me ensinou.

Uma amiga, que também estava lendo esse livro, comentou sobre como saímos da zona de conforto ao lermos sci-fi. Porque ao lermos autores considerados “cults” você pode cair em dúvida e normalmente há uma lógica de fatos e locais que você pode pesquisar no google. Há uma tradução, uma nota e o “Deus Google” que te auxilia nas menores dificuldades. Mas como fazer com mundos, idiomas, comportamentos diferentes até mesmo da sua vida e de qualquer coisa que saia no Sensacionalista? Aprendi que ficção científica bem escrita te exige concentração e entrega, você não pode ler e pular páginas, precisa entrar naquele mundo e seus costumes e divagações.

Até a página 65 pensei em largar e voltei várias vezes, de repente, já me vi sendo o Genly Ai e querendo entender aquele povo que já fazia parte do meu dia a dia. E as questões de gênero levantadas no livro e algumas coisas que até certo ponto podem parecer afronta te colocam em cheque. É como se ela te olhasse e dissesse – Ficou chocado com isso? Você se sente na pele do personagem.

E sim, eu chorei no final e depois de quase 40 dias lutando contra a Ursula ela me venceu! E em breve começo a missão Philip K. Dick e 2015 promete porque também vou me desafiar a ler fantasia!

P.S.:  Aqui você pode ler uma sinopse bacana do livro que a Michelle fez no site da Confeitaria

Aqui Ursula defendendo as livrarias independentes.

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