Livrarias no Brasil

Pelo visto o mercado editorial pós carnaval de 2017 será tenso e intenso. Há pouco tempo saiu a noticia do estudo de fusão entre Saraiva e Cultura. Talvez eu entenda essa união contra um inimigo em comum que é a Amazon. No caso dos grandes players entendo essa atitude porque o público é praticamente o mesmo. Atualmente na caça de preços menores e não de um catálogo diferenciado.

E agora surge a notícia de que FNAC está indo embora do Brasil, ou seja, colocando seus pontos a venda. O que foi um rumor durante muitos anos hoje se concretiza. Durante anos a FNAC trouxe o modelo de compra com direito a devolução (modelo francês) ao mercado brasileiro que sempre lidou com consignação (falei sobre isso aqui) . Acredito que a parte fiscal e principalmente de logística tenham sido fatores para que a FNAC tenha se assustado com o emaranhado confuso que é o Brasil. Mas no segundo tempo de jogo, a FNAC diz que fica (em breve cenas dos próximos capítulos). Na França eles são a maior rede e as livrarias independentes são muito diferentes e por isso do meu interesse nesse modelo de negócio em especial.

E o que tem a ver FNAC, modelo francês e Brasil?
Então, vamos lá, na França não há venda de espaço das livrarias independentes, há venda de livros e produtos relacionados. Os compradores são livreiros que estão no chão de loja e normalmente compram por setor e conseguem definir melhor o mix de produtos adequados para cada filial. O problema é que dependendo do nicho, como infantil, não existem livros que fiquem na loja por muito tempo mesmo sendo do tipo cauda longa (títulos que vendem sempre, mas em pequenas quantidades).

Se você pesquisar com calma, vários consultores falam sobre monetizar o espaço de sua livraria. Questiono essa estratégia por que a livraria monetizaria um espaço baseado em qual target?
Como você poderá seguir uma linha de produtos (livros) diferenciados em sua livraria se vende espaço e normalmente quem compra são editoras maiores? Geralmente quem dispõe de verba para compra de espaço, são as mesmas editoras que compram espaço nas redes. Então, como fica a situação da livraria independente?

Em vez de de monetizar espaço pense:
1. O que leva uma pessoa a comprar livro na minha livraria?
2. Será que eu já reconheço tão bem esse cliente que posso mandar msg quando chegar algo diferente de acordo com seu perfil?
3. Tenho mailing para enviar novidades de editoras menores que talvez nem tenham site mas possuem design e conteúdo bacana para esse cliente diferenciado?
4. Como me comunico nas redes sociais?
5. Como trato editoras independentes, pequenas e médias? Proponho algo? Atendo o representante?

Depois disso, pense se Amazon realmente é má ou boazinha ou anda pesquisando editores bacanas que não conseguem exposição nas redes convidando-as para ações e mailings específicos. Claro, o momento é de crise para livreiros e principalmente editores que primeiro pagam e depois recebem.

E você, caro amigo, que não trabalha no mercado de livros. Os preços são tabelados e as grandes livrarias recebem descontos maiores e algumas repassam para os clientes e não livraria x ou y é mais cara ou barata, ela apenas tem maior poder de negociação pelos acertos ou compras.

Agora um post para pensar e pensar e se tudo certo, aplicar na livraria, banca ou espaço que venda livros também:
Las librerías independientes lugares de resistencia a la “estupidez” 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *