A livreira Patti Smith

“Pessoalmente, não sou muito de simbolismos. Nunca consigo entender. Por que as coisas não podem ser o que são? Nunca pensei em psicanalisar Seymour Glass ou tentar destrinchar “DesolationRow” “ Patti Smith

 

Então, diva-mor chamada Patti Smith, eu entendo que você não precise pesquisar todas as coisas e entendê-las pode ficar para trás mas eu, sua fã ardorosa, não consigo e por isso faço neste post alguns comentários sobre as inúmeras referências no livro Linha M de Patti Smith. E depois você pode se sentir como eu e talvez achar que encontrou em Patti, sua livreira preferida.

 

Quando trabalhava na livraria sempre vinha um cliente que tinha lido livro x e amado e o que tínhamos naquele estilo e que ele pudesse gostar ou inúmeras referências do que ele não gostou e então você não deveria apresentar nenhum autor daquele estilo. Se depois de ler esse post ou ainda ler o Linha M, você não achar que Patti daria uma excelente livreiro, teremos que ter uma longa conversa.

 

“O escritor é um condutor” e Patti me conduziu para descobrir quem era Lyndon Johnson e chapéus

Ou ser conduzida por locais onde Kerouac frequentava e onde Mohammed Mrabet e Isabelle Eberhardt eram levados por Paul Bowles. Todos envoltos pelos versos da Divina Comédia mas ela meditando sobre como seria ter um café ou uma livraria. Sim, Patti é gente como a gente e tem desses sonhos bobos e felizes.

 

Como adoradora de Rimbaud, Patti nos conduz para a poesia seduzida por absinto de Paul Verlaine, sua dor e de repente nos remete para Jean Genet que um dia escreveu: “Fui aviltado na minha infâmia.” Quem nunca, Genet? E nesse momento comecei a perceber o quanto a impressão de alguns autores e sua vida pessoal me influenciaram a não lê-los como o caso de Genet, Kerouac e Burroughs tentarei me livrar desse pré-conceito e preencher essa lacuna.

 

O que Patti nos faz perceber em Linha M é como lemos pouco, viajamos pouco mas em uma coisa eu combino muito com ela: séries policiais. Patti é viciada em CSI, The killing e o filme/livro “O homem que não amava as mulheres”.

“- Estou assistindo às minhas séries policiais — murmuro sem me desculpar, o que não é pouca coisa. Os poetas de ontem são os detetives de hoje. Passam a vida farejando o centésimo verso, resolvendo um caso, manquitolando exaustos em direção ao pôr do sol. Eles me entretêm e me dão força. Linden e Holden, Goren e Eames. Horatio Caine. Eu ando com eles, adoto seus modos, sofro com seus fracassos, reflito sobre seus movimentos ainda por muito tempo depois do final do epsódio, seja em tempo real ou nas reprises.” A vontade é de chamar Patti para beber cerveja e conversar sobre as séries da BBC e Shonda Rhimes. E será que ela saberia por que “The Catch” é tão ruim com um elenco tão icnrível? Ops, isso seria outro post

 

Eu me espanto com mas ligações de The killing com “O mestre e a margarida” de Bulgavóv, Anna Akhmátova e Maiakóvski ou seria com Bolaño? Ou a série seria Law and Order.

Diante disso, fiz uma lista de livros recomendados pela Patti em Linha M no Goodreads.

 

E não darei spoilers mas você vai querer ler de novo Bell Jar da Sylvia Palth e dizer que César Aira [outro escritor que daria um excelente livreiro] é incrível e se indigna porque não é tão lido como deveria.
Fiquei um mês nesse post para não ser textão, para parecer pessoal demais mas é isso. Acho que senti demais e escrevi de menos, um pouco Patti Smith em mim. Mas nem Patti me fará ler Murakami, ao menos por enquanto.

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