A cidade solitária de Olivia Laing

“Cidades podem ser locais solitários e, ao constatar isso, vemos que a solidão não requer necessariamente isolamento físico, mas sim uma escassez de conexão, proximidade, afinidade: uma incapacidade, por um motivo ou outro, de encontrar tanta intimidade quanto se deseja. Infeliz, como diz o dicionário, como resultado de estar sem a companhia dos outros. Dificilmente se imagina, portanto, que isso possa chegar à uma apoteose numa multidão.” Pág. 12

A cidade solitária de Olivia Laing é um ensaio e faz parte da Coleção Anfiteatro da editora Rocco. Misto de ensaio e biografia, é uma investigação de obras de arte que surgem da solidão do artista e de uma busca pessoal sobre a difícil “arte de estar sozinho”.

É uma forma mais contemporânea de expor críticas culturais através de um viés de empatia, a empatia do estar só, por escolha ou não.

Depois de um rompimento e da solidão forçada, Laing começa a costurar através de sua experiência pessoal o que seria o livro A cidade solitária e se compara à mulher do quadro Automat de Edward Hopper. A autora parte de quatro caminhos, ou melhor, artistas, que servem como norte na pesquisa: Edward Hopper, Andy Warhol, David Wojnarowicz e o arquiteto e artista Henry Darger.

A arquitetura de Hopper de aprisionamento e exposição simultânea assume novos significados no contexto de seu tratamento tirânico de sua esposa artista, Jo (talentosa artista que fica obscura e se torna uma secretária do artista, apenas). A visibilidade do trabalho de Hopper chama atenção às incômodas tensões entre voyeurismo e vulnerabilidade dos moradores solitários da cidade.
O ostracismo velado de simpatia excessiva de Warhol e de suas necessidades egocêntricas conflitam com sua necessidade de isolamento. Tudo isso parece ter sido elevado a mais alta potência com o aparecimento de Valerie Solanas, autora do Manifesto Scum, que detectou falhas morais em Andy e por isso, tentou assassiná-lo. Aí o paradigma da solidão coloca em xeque a falta de empatia de ambos. Sem normatizar a terrível atitude, Laing nos aproxima da vida triste de Solanas e sua morte assustadora.

As diferenças entre a solidão masculina e feminina são temas recorrentes no livro. Greta Garbo e seu perseguidor, o paparazzo Ted Leyson, iniciam esse olhar de objetivação,  Wojnarowicz e a objeificação do corpo masculino em suas fotografias.

Nessas passagens, onde as conexões e associações descontraídas, mas profundamente informadas de Laing se levantam para uma espécie de visão privada da comunidade, que seu livro transcende a solidão na cidade de Nova York e sim no mundo contemporâneo.

Em alguns pontos do livro você pode sentir muito “first world problems” porque na nossa realidade raras são as pessoas que podem viajar pelos EUA e Europa para colocar Nova York como a cidade mais solitária do mundo ou causadora de solidão. Ao ler o livro preferi colocar a ótica da garota interiorana do Paraná/Santa Catarina em São Paulo. Foi meu modo de ter mais empatia com a autora e comigo também. Amadurecer talvez seja um ato egoísta de se ver em qualquer lugar, até no outro. E Laing nos transporta para a dor do outro, aquele lugar de fala ou de teletransporte em que você pensa em oferecer um abraço mas visualiza e não responde a mensagem.

Entrevista Olivia Lang no Estadão. 

 

Cravos de Julia Wähmann

“Yo no sé como amar a un elefante”, diz o verso que trago sempre na bolsa. Ao menos não em teoria. Na prática é só se deixar levar por uma dança, por poesia, ou por você. E o fantasma passa ser essa impossibilidade de fazermos juntos.” pág. 129

O livro de Julia Wähmann “Cravos” tem algo da peça “Cravos” de Pina Bausch, coreógrafa e bailarina alemã. Criada em 1983, surgiu a partir da experiência de Bausch com a ditadura do Chile no início dos anos 80. A peça tem 8.000 flores espalhadas pelo palco e com quatro cães pastores alemães a abservar. No outro lado, bailarinos da Tanztheater Wuppertal fazem a coreografia criada a partir de suas memórias afetivas. Bausch define “Cravos” como uma metáfora sobre a busca do amor.

Tendo a peça como referência, “Cravos“, o livro, é feito de uma prosa poética peculiar, que te leva numa viagem pelos caminhos tortuosos da saudade. A escritora Julia Wähmann fez aulas de dança por quase dez anos e quando assistiu pela primeira vez ao espetáculo “Ten Chi”, do Tanztheater Wuppertal – a companhia da coreógrafa alemã Pina Bausch, falecida em 2009 -, daí surgiu a ideia para seu romance Cravos.

Os capítulos são curtos. Como se fossem atos ou filmes em polaroid. É um livro de silêncios e linguagens não verbais como a autora explica nesta entrevista.

Um romance metalinguístico para ser lido sem pressa, daqueles que te colocam junto com a narradora em busca do escasso tempo que tem com a pessoa amada, a doação de tempo e amor, como na arte. Observar esse movimento de persistência da narradora nessa relação, que nós leitores sabemos que provavelmente não durará, é como se a fagulha de sentimentos estivesse ali e pronta para ser experimentada, porque nada é eterno. Para ser lido sem pressa ou necessidade de compreensão instantânea mas ser apreciado como uma peça ou um álbum de seu artista preferido.

“Num intervalo de quatro dias morrem o Michael Jackson e Pina Bausch e o meu fôlego, além de meus dedos excessivamente enrugados em silêncios aquáticos, tediosos e sem aplauso algum. A piscina não mudou de tamanho, mas a borda oposta parece cada vez mais longe.” pág. 63
“- É sempre virose, maresia ou mau contato.
* Ou saudade.”

Livrarias no Brasil

Pelo visto o mercado editorial pós carnaval de 2017 será tenso e intenso. Há pouco tempo saiu a noticia do estudo de fusão entre Saraiva e Cultura. Talvez eu entenda essa união contra um inimigo em comum que é a Amazon. No caso dos grandes players entendo essa atitude porque o público é praticamente o mesmo. Atualmente na caça de preços menores e não de um catálogo diferenciado.

E agora surge a notícia de que FNAC está indo embora do Brasil, ou seja, colocando seus pontos a venda. O que foi um rumor durante muitos anos hoje se concretiza. Durante anos a FNAC trouxe o modelo de compra com direito a devolução (modelo francês) ao mercado brasileiro que sempre lidou com consignação (falei sobre isso aqui) . Acredito que a parte fiscal e principalmente de logística tenham sido fatores para que a FNAC tenha se assustado com o emaranhado confuso que é o Brasil. Mas no segundo tempo de jogo, a FNAC diz que fica (em breve cenas dos próximos capítulos). Na França eles são a maior rede e as livrarias independentes são muito diferentes e por isso do meu interesse nesse modelo de negócio em especial.

E o que tem a ver FNAC, modelo francês e Brasil?
Então, vamos lá, na França não há venda de espaço das livrarias independentes, há venda de livros e produtos relacionados. Os compradores são livreiros que estão no chão de loja e normalmente compram por setor e conseguem definir melhor o mix de produtos adequados para cada filial. O problema é que dependendo do nicho, como infantil, não existem livros que fiquem na loja por muito tempo mesmo sendo do tipo cauda longa (títulos que vendem sempre, mas em pequenas quantidades).

Se você pesquisar com calma, vários consultores falam sobre monetizar o espaço de sua livraria. Questiono essa estratégia por que a livraria monetizaria um espaço baseado em qual target?
Como você poderá seguir uma linha de produtos (livros) diferenciados em sua livraria se vende espaço e normalmente quem compra são editoras maiores? Geralmente quem dispõe de verba para compra de espaço, são as mesmas editoras que compram espaço nas redes. Então, como fica a situação da livraria independente?

Em vez de de monetizar espaço pense:
1. O que leva uma pessoa a comprar livro na minha livraria?
2. Será que eu já reconheço tão bem esse cliente que posso mandar msg quando chegar algo diferente de acordo com seu perfil?
3. Tenho mailing para enviar novidades de editoras menores que talvez nem tenham site mas possuem design e conteúdo bacana para esse cliente diferenciado?
4. Como me comunico nas redes sociais?
5. Como trato editoras independentes, pequenas e médias? Proponho algo? Atendo o representante?

Depois disso, pense se Amazon realmente é má ou boazinha ou anda pesquisando editores bacanas que não conseguem exposição nas redes convidando-as para ações e mailings específicos. Claro, o momento é de crise para livreiros e principalmente editores que primeiro pagam e depois recebem.

E você, caro amigo, que não trabalha no mercado de livros. Os preços são tabelados e as grandes livrarias recebem descontos maiores e algumas repassam para os clientes e não livraria x ou y é mais cara ou barata, ela apenas tem maior poder de negociação pelos acertos ou compras.

Agora um post para pensar e pensar e se tudo certo, aplicar na livraria, banca ou espaço que venda livros também:
Las librerías independientes lugares de resistencia a la “estupidez” 

Tsugumi

Sem dúvida, Tsugumi era uma garota desagradável. Deixei minha tranquila cidade natal – conhecida pela pesca e pelo turismo – para cursar uma universidade em Tóquio. A vida na capital tem sido muito divertida.
Eu me chamo Maria Shirakawa. Em homenagem à Santa Virgem. (p. 11)

A resenha ou tentativa de escrever algo sobre o livro já começa com um alerta: se você espera uma leitura cheia de altos e baixos, revelações impactantes e acha que o símbolo da literatura japonesa é Murakami, talvez Banana Yoshimoto não seja o tipo de autora que você goste. Apesar disso, algumas pessoas que gostam do autor acima citado também gostaram do primeiro livro de Banana Yoshimoto – “Kitchen”.
A narradora de “Tsugumi” é Maria, prima de Tsugumi – a protagonista. E como a autora confessa tanto no posfácio quanto no epílogo do livro, Tsugumi é um alter-ego, e o carinho pela península de Izu é lembrança de quando passava as férias com os pais na região. O luto e a memória afetiva são assuntos recorrentes na literatura da autora, talvez por esses motivos o enfoque seja na adolescência e nas perdas que a vida nos traz. “Tsugumi” pode ser considerado um romance de formação.
Tsugumi é uma garota mimada, caçula de uma família que administra uma pousada na península de Izu e tem uma doença crônica que parece ser parte de sua personalidade. Ao mesmo tempo que insolente é apaixonante.
Dona de uma beleza estonteante, Tsugumi não mede esforços para ser o centro das atenções e não permite que a irmã Yoko e a prima Maria tenham protagonismo em situações corriqueiras da família. E apesar de parecer rude, esse comportamento sincericida mais parece algo como carência excessiva e a certeza de que, diferente de Maria e Yoko, ela não tem opção de deixar a península sozinha e ter uma vida dita como “normal” já que tem uma doença grave.

A vida é uma encenação, pensei. A palavra “fantasia” também possui uma conotação semelhante, mas, para mim, o termo “encenação” é o que melhor expressa o que sinto sobre a vida. Naquela tarde, em meio à multidão, tive esse instante vertiginoso de epifania. Cada um carrega em seu peito uma profusão de coisas boas e ruins, suportando esse fardo durante a vida. E, apesar de termos de suportar todo esse peso sozinhos, ainda procuramos, na medida do possível, ser amáveis com aqueles que nos são caros. (p. 43)

Maria volta para península para dar adeus à família e todas as lembranças, porque a pousada será vendida por causa da abertura de hoteis e crescimento da região. Você percebe que tanto ela quanto o leitor já não tratam Tsugumi como má, apenas amarga ou que não sabe dizer o quanto aquela pessoa que ficou distante fez falta.
A marca registrada de Banana é a simplicidade, sem malabarismos linguísticos. Muitos falam da linguagem triste dos autores orientais, que seriam uma espécie de lamento constante e sem clímax. E eu discordo imensamente disso, não é uma problematização desnecessária, mas sim uma poética do cotidiano, quase um haikai em forma de prosa. A autora consegue comover sem comprometer a história, não cria frases de efeito, nem é piegas.

A autora faz parte de uma nova geração de autores que vivem no Japão, tratam da contemporaneidade e principalmente do sentir-se só mesmo cercada de pessoas.

Nós crescemos vendo inúmeras coisas. E mudamos pouco a pouco. Avançamos conscientes dessas mudanças que se tornam reiteradamente perceptíveis de diversas formas. Mas, se por acaso eu pudesse impedir tais mudanças, manteria aquela noite intocada. Uma noite perfeita, repleta de singela e doce felicidade. (p.. 120)

E uma curiosidade:
Banana Yoshimoto é o pseudônimo de Mahoko Yoshimoto. O apelido foi adotado pela paixão da autora pelas flores de bananeira e pelo simbolismo andrógino da fruta.
O livro foi adaptado para o cinema em 1990 por Jun Ichikawa
https://www.youtube.com/watch?v=OZkjT9oUHEI

A livreira Patti Smith

“Pessoalmente, não sou muito de simbolismos. Nunca consigo entender. Por que as coisas não podem ser o que são? Nunca pensei em psicanalisar Seymour Glass ou tentar destrinchar “DesolationRow” “ Patti Smith

 

Então, diva-mor chamada Patti Smith, eu entendo que você não precise pesquisar todas as coisas e entendê-las pode ficar para trás mas eu, sua fã ardorosa, não consigo e por isso faço neste post alguns comentários sobre as inúmeras referências no livro Linha M de Patti Smith. E depois você pode se sentir como eu e talvez achar que encontrou em Patti, sua livreira preferida.

 

Quando trabalhava na livraria sempre vinha um cliente que tinha lido livro x e amado e o que tínhamos naquele estilo e que ele pudesse gostar ou inúmeras referências do que ele não gostou e então você não deveria apresentar nenhum autor daquele estilo. Se depois de ler esse post ou ainda ler o Linha M, você não achar que Patti daria uma excelente livreiro, teremos que ter uma longa conversa.

 

“O escritor é um condutor” e Patti me conduziu para descobrir quem era Lyndon Johnson e chapéus

Ou ser conduzida por locais onde Kerouac frequentava e onde Mohammed Mrabet e Isabelle Eberhardt eram levados por Paul Bowles. Todos envoltos pelos versos da Divina Comédia mas ela meditando sobre como seria ter um café ou uma livraria. Sim, Patti é gente como a gente e tem desses sonhos bobos e felizes.

 

Como adoradora de Rimbaud, Patti nos conduz para a poesia seduzida por absinto de Paul Verlaine, sua dor e de repente nos remete para Jean Genet que um dia escreveu: “Fui aviltado na minha infâmia.” Quem nunca, Genet? E nesse momento comecei a perceber o quanto a impressão de alguns autores e sua vida pessoal me influenciaram a não lê-los como o caso de Genet, Kerouac e Burroughs tentarei me livrar desse pré-conceito e preencher essa lacuna.

 

O que Patti nos faz perceber em Linha M é como lemos pouco, viajamos pouco mas em uma coisa eu combino muito com ela: séries policiais. Patti é viciada em CSI, The killing e o filme/livro “O homem que não amava as mulheres”.

“- Estou assistindo às minhas séries policiais — murmuro sem me desculpar, o que não é pouca coisa. Os poetas de ontem são os detetives de hoje. Passam a vida farejando o centésimo verso, resolvendo um caso, manquitolando exaustos em direção ao pôr do sol. Eles me entretêm e me dão força. Linden e Holden, Goren e Eames. Horatio Caine. Eu ando com eles, adoto seus modos, sofro com seus fracassos, reflito sobre seus movimentos ainda por muito tempo depois do final do epsódio, seja em tempo real ou nas reprises.” A vontade é de chamar Patti para beber cerveja e conversar sobre as séries da BBC e Shonda Rhimes. E será que ela saberia por que “The Catch” é tão ruim com um elenco tão icnrível? Ops, isso seria outro post

 

Eu me espanto com mas ligações de The killing com “O mestre e a margarida” de Bulgavóv, Anna Akhmátova e Maiakóvski ou seria com Bolaño? Ou a série seria Law and Order.

Diante disso, fiz uma lista de livros recomendados pela Patti em Linha M no Goodreads.

 

E não darei spoilers mas você vai querer ler de novo Bell Jar da Sylvia Palth e dizer que César Aira [outro escritor que daria um excelente livreiro] é incrível e se indigna porque não é tão lido como deveria.
Fiquei um mês nesse post para não ser textão, para parecer pessoal demais mas é isso. Acho que senti demais e escrevi de menos, um pouco Patti Smith em mim. Mas nem Patti me fará ler Murakami, ao menos por enquanto.

Melhores livros infantis lidos em 2015

Pois é com atraso que posto sobre meu livros infantis preferidos que li em 2015, não são editados em 2015 e sim que li aleatoriamente no ano.

Participei do júri do Destaques Emília 2014 e por isso devem ter vários títulos que constam nessa lista. Afinal, ler quase 70 livros lidos em 2 meses é algo que nos marca.

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O que há – Isabel Minhós Martins/Madalena Matoso [Sesi-SP Editora]

O texto sempre delicado de Isabel traz a levez para a precisão do traço de Madalena Matoso, apesar de ser fã da autora nesse livro a ilustração faz um jogo perfeito para crianças leitoras ou não. É como um jogo em que se o leitor acompanhar leitura e ilustracão terá um entendimento mais completo  mas se apenas observar e interagir com a ilustração ainda assim terá a experiência sensorial dos jogos de objetos e grafismos do livro.

Coleção Tatiana Belinky – 34[vários ilustradores]

Na verdade, essa repagaginação de livros da Tatiana Belinky merece aplauso. Muitos acham a autora muito simples, lançou demais ou que talvez dêem atenção demais aos seus livros. Acredito no oposto, ela precisa de ainda mais atenção como essa dada pela Editora 34 convidando ilustradores jovens e dando novo projeto gráfico para os textos da autora dos Limeiriques.

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O nascimento de Celestine- Gabrielle Vincent

Gabrielle Vincent, pseudônimo da autora Monique Martin, criou nessa coleção Ernest e Celestine um universo de empatia. Apesar de serem tão diferentes, a Ratinha e o Urso te transportam para  um ambiente de compreensão mútua e carinho.

 

Gorila – Anthony Browne

Anthony Browne é o tipo de autor que só o lançamento de seus livros no Brasil já é motivo de festa e quando é o Gorila ainda mais. Gorila simboliza a figura da falta do pai de Hannah e sua falta de tempo com a menina mas ela faz o pedido inusitado de visitar chimpanzés no zoológico e até esse final, o Gorila a acompanhará na história. Aqui o trailer de Gorila em espanhol.
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O voo das borboletas – Benjamin Lacombe

Muitos podem dizer que as ilustrações de Lacombe são datadas e quase no sentido brega mas novamente pensando no olhar infantil vejo o quanto ele pode ser encantador. Naoko, uma menina com seus 14 anos, recebe a notícia do pai de que terá que ir para cidade grande e se tornar  “numa mulher da sociedade”. Mas Naoko não é o tipo de garota convencional, ainda mais depois da morte da mãe. E de repente surge o plano, se vestir de garoto e estudar literatura. Mas algo acontece nesse caminho que Benjamin Lacombe nos leva, leia e descubra.

 

 

 

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Este livro não é um livro de princesas – Blandina Franco e José Carlos Lollo

O livro tem uma encadernação simples o que talvez numa primeira olhada você possa ignorá-lo mas ao abrir a magia se faz. Com textos curtos que insinuam sobre como você pode não ser uma princesa mas ainda ser uma garota incrível e com bordados que mostram a parte da frente e a de trás nem tão perfeita mas que é necessária como cada imperfeição que temos. Em tempos de discussão de gênero, um livro mais que necessário.
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Irerê da Silva – Silvia Zatz e Michael Gorski/ Flavia Mielnik e Laura Gorski

Silvia Zatz e Michel Gorski são os escritores e  Flávia Mielnik e Laura Gorski são as ilustradoras que fazem esse livro em preto e branco que faz uma anologia ao pato que migra mas tem nome e sobrenome – Irerê da Silva. Esse personagem faz uma ode a migração das pessoas, ecologia, companheirismo e eu, vc e todos os que são ou se consideram brasileiros. Msg que marquei na minha tabelas de leitura: Amei tudo! Texto, ilustrações, as explicações finais sobre ecologia, Arrebatador”

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1 Real – Frederico Delicado

É quadrinho, não tem texto mas uma narrativa tão pungente e que coloca duas crianças de realidades opostas e uma mulher solitária. O elo entre eles é aviãozinho de papel ou o pote que está no final do arco-íris – a felicidade.

Booktrailer.
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Zloty – Tomi Ungerer

Minha teoria sobre Tomi Ungerer é simples e a leitura dele também é. Sem conceitos literários ou pedagógicos aparentes ele forma leitores com fantasia como estilo literário para crianças ricamente ilustrados e seus textos também são ótimos. Se no futuro teremos leitores de Cervantes e Dostoievski também teremos leitores de J.K. Rowling e Tolkien.

Retrospectiva

Então é quase natal, ano novo e 2016 parece estar logo ali, na próxima esquina. Mas este post é para falar de 2015 e tudo que aconteceu e tem acontecido na minha vida num ano bem mais ou menos mas que eu consegui ver o meu crescimento através do olhar de muitos amigos, do meu marido e da minha família.

Foi o ano da descoberta que eu posso sim criar, fazer, discutir, negociar sem perder meu caráter. Foi o ano que conheci pessoas incríveis por causa do #leiamulheres, dos trabalhos com eventos em livrarias e com autores e editoras. Foi ano que comecei a querer mesmo uma mudança e tentar entender mais de programação e coisas da “firma”.

Foi o ano de acreditar em mim e fazer com que as pessoas me ajudassem a acreditar. O ano de pensar menos no eu e mais no nós, todos nós. Foi o ano que apesar de me magoar quando citavam que não sei fazer negócio [talvez porque não grito ou digo sou foda a qualquer custo] eu ouvi, calei e trabalhei, mostrei através de resultados e não achismos.

Foi o ano de estar com os poucos amigos e segurar a mão, mandar msg pelas redes sociais ou hangout. Foi o ano de ver gente talentosa ser demitida mas aos poucos perceber que todos estão encontrando alternativas e no final as coisas se encaixam. Foi o ano de dizer adeus para alguns hábitos, admitir alguns medos e enfrentá-los diariamente.

Foi o ano em que o medo me deu coragem e a cada tropeço tinha alguém querido me olhando e me dando a mão ou dizendo para continuar. Foi o ano que eu aprendi que antes te pedir eu preciso agradecer.

Sou muito grata por cada de um de vocês que fizeram e estão fazendo de 2015 um ano memorável, independente de qualquer coisa, um ano de superação.

E que venha 2016!!

Dez passeios literários em São Paulo

Durante alguns anos meu trabalho foi visitar diariamente livrarias, espaços culturais, galerias e bibliotecas para vender livros. Hoje em dia continuo vendendo livros mas visitando esses espaços de maneira mais pontual e nem todos os citados abaixo posso visitar sempre. Então, essa é uma lista desses lugares inesquecíveis, uma lista sentimental.

 

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A especialidade da livraria é literatura, num aconchegante sobrado em Perdizes você pode achar livros de fundo de catálogo de editoras bacanas como 34 e Estação Liberdade, além de vinis e uma ótima conversa.

Rua Cardoso de Almeida – 1356

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Casa de Livros

Talvez a mais lúdica das livrarias em São Paulo, fica na Chácara Santo Antônio e logo na entrada você já verá uma ilustração da Suzy Lee feita quando visitou a livraria.

Variado acervo de livros infantis e não se assuste se um dia chegar e dar de cara com vários pequenos leitores ouvindo seu autor favorito.

Rua Capitão Otávio Machado, 259 

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Biblioteca Mário de Andrade

No centrão de São Paulo uma das minhas bibliotecas preferidas, o atendimento não é dos melhores mas o acervo sim. Então, bote o sorriso no rosto, finja que não liga para cara feia e mergulhe nos livros e exposicões que sempre acontecem por lá!

Rua da Consolação – 94

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Blooks

A carioca Blooks é uma das mais charmosas e com um acervo diferenciado de quadrinhos e arte.

Rua Frei Caneca, nº 569 – 3º Piso

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Biblioteca Temática Feminista Cora Coralina

No momento passa por reformas mas deve reabrir em breve. O acervo ainda está em formação e ainda há poucos eventos acontecendo, veremos como será em 2016.

Rua Otelo Augusto Ribeiro – 113

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Novesete

Pertinho do metrô Ana Rosa fica uma das livrarias infantis mais importantes da cidade, um catálogo enxuto e escolhido a dedo mas com o que há de mais bacana no setor. Não é  a toa que a Novesete e a Casa de livros são as minhas infantis preferidas de sempre.

Rua França Pinto, 97

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Sebo do Messias

O Sebo do Messias é tipo “quintal de casa”, faço trocas, encomendas e compro o que preciso para trabalho e pesquisas. Na verdade, acho que tenho espasmos de necessidade e acabo comprando demais. Se você como eu anda com mania de autores paulistanos esquecidos, aparece lá, provavelmente você vai encontrar o livro esgotadíssimo que precisa.

Praça João Mendes, 140

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Tapera Taperá

Até semana passada quando visitei era uma biblioteca com livros alternativos de arte, política, ciências sociais e alguma coisa de literatura. Em breve será uma livraria também e com foco em não-ficção e eventos. Vista linda e vizinha do bar Mandíbula.

Galeria Metrópole

Avenida São Luís, 187

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Livraria Takano

Ela não tem site mas tem livros em nihongo. A dona é ex-bibliotecária mas sempre tem dicas ótimas de autores japoneses…alegres. Porque ela facilmente detectou meu fascínio por autores japoneses e suas histórias tristes. E eu não leio em japonês nem falo mas passo lá para conversar e pegar dicas.

Rua Conselheiro Furtado, 759

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Além dos processos editoriais

Não é de hoje que temos a “obrigação” de comentarmos tudo, sabermos tudo ou mesmo apontarmos o dedo para tudo e todos nas redes sociais. Mas eis que chega o dia em que você tem o dedo apontado na sua direção e você simplesmente pensa – Culpada.

Sim, eu sou uma pessoa que adora planilhas, pensa em lucro e imaginem fala “valor agregado” em produto e pensa na viabilidade da producão de livros. Imaginem, sou realmente o bicho-papão. Mas antes que inúmeras pessoas venham me dizer que não sou ninguém, irrelevante ou insignificante para o mercado preciso explicar algo sobre mim

1. Trabalho desde os 13 anos com livros, não sou designer, capista, produtora gráfica ou editora. Sou do comercial e depois migrei para um setor híbrido entre marketing e comercial:

2. Minha principal preocupação é o conteúdo, a forma que ele terá seja digital, físico, app, epub, capa dura, numerada deve ser de acordo com seu propósito de lucro e target [ leitor/cliente]

3. Sim, sou um bicho-papão que pensa em metas/cotas, planilhas e burocracias…assim, irrelevantes só que não.

Depois de esclarecido isso você precisa ter em mente de que a ideia pode ser maravilhosa mas se não chegar aos leitores e nem mesmo nas livrarias ela morre. Quando um livro termina ele passa por alguns processos

1. Precificacão

A precificação é baseada nos fatores – salários de funcionários, aluguel, direitos autorais, adiantamentos, manutenção do estoque, logística de entrega, gráfica, descontos para livrarias [o mínimo é de 40%] e encargos no caso de papel importado. Isso para começar, por isso, a planilha e valor agregado são importantes, quanto maior a tiragem ou previsão de reimpressão menor pode ser o preço.

2. Sinopse, release, capa em alta, material específico para cada player.

Então, o livro ficou pronto. agora ele precisa sair e ganhar o mundo mas prá isso vai precisar de sinopse, release, capa em lata e algumas livrarias possuem sistemas de cadastro por planilhas em modelos diferentes e algumas utilizam via XML. Amigos, não existe isso de cadastro universal onde você encontra ISBN, nome, título, tradutor e preço num lugar só, mesmo que seja uma livraria. Antes de você encontrar seu livro na busca teve uma pessoa que mandou inúmeras emails, fez o cadastro online e depois visitou todas as livrarias, mostrou os livros e convenceu os compradores a terem os livros nas lojas. Com a crise o comercial faz todo esse processo e solta fogos quando consegue cadastrar no site e uma promessa de que depois do Natal seu livro chegará na loja.

3. Você conseguiu, tem seu livro cadastrado

Pois é, mas essa é a fase inicial porque como disse acima você precisa convencer o comprador de que seu livro é importante, necessário, vai vender e os leitores ficarão insanos ao vê lo no ponto de venda. Por isso, editores que conversam com vendedores e marketing podem ter um melhor percurso para seus livros.

Hoje em dia, raras são as livrarias que não cobram pela exposição dos livros em gôndolas, vitrines ou revistas informativas dos players. Por isso, na precificação muitas vezes é colocado também o valor de pagamento desses produtos das livrarias.

4. Consignação

E você, sabe o que consignação? Consignação é o processo que você faz tudo que jea escrevi, o comprador faz o pedido mas não é compra. Só se efetivará em compra quando houver o acerto de consignação que acontece no mês posterior a entrega do pedido na livraria, o pagamento normalmente ocorre 90 dias depois desse processo apenas dos livros vendidos.

Isso é um parte de todo processo comercial e marketing, na verdade é um grande resumo e explica porque esse setor tão menosprezado por editores acaba influenciando e muito no sucesso ou não do seu livro. O livro pode “até dar Veja” jargão muito utilizado no mercado mas faltar algo no ponto de venda se o livreiro não souber do que se trata ou não ter uma informação adicional do produto que só quem esteve dentro da editora durante o processo sabe. Raros são os editores que visitam livrarias e conversam com livreiros, por isso o trabalho do comercial e marketing no mercado editorial precisa ser ainda mais bem feito e respeitado.

E talvez esse seja um manifesto em respeito aqueles que não são maus, apenas lutam pela sustentabilidade de um mercado que é cultural mas também precisa se manter.

Editoras que você precisa conhecer

Sim, uma grande editora vai dizer adeus ao mercado editorial brasileiro, isso se nada mudar nesse percurso diante de tamanha comoção. Mas enquanto nenhum ato heroico salva a editora do eminente fim [o que eu acho impossível], por que não conhecer, ler e perceber outras editoras e autores?

Mesmo eu tendo carinho pela Cosac Naify e tudo que ela me trouxe quando trabalhei lá, é preciso seguir em frente e me refiro também a leitores e livrarias, além de jornais que precisam olhar para o lado e notarem que há muito além dos mesmos autores e casas editoriais.

Sendo assim em meio a minha face mais ranzinza, fiz uma lista de editoras bacanas não só que privilegiam o design do livro bem como seu conteúdo mas principalmente de autores que você precisa conhecer:

Carambaia

MOV editora

Nós editora

Olhavê

Arte e Letra

Confeitaria

Darkside Editora 

Jujuba Editora

Editora Pulo do Gato

Patuá

Tijuana

Ikrek Editora

Confraria do vento

GG Editora – Brasil

Editora Poetisa

Cigarra Editora

Lote 42 

Menção a 3 editoras que não são recentes nem tampouco pequenas mas estão renovando seu catálogo com títulos bem bacanas

Biblioteca Azul – Selo da Globo Livros 

Edições Sesi

GG – Gustavo Gili – Brasil